segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Problemas com o cobro

O cobro é uma acção nem sempre feita correctamente pelos cães, há cães que vão buscar a peça e a enterram, outros que a largam a meio do caminho, outros que fogem com a peça etc. Para tentarmos corrigir esses problemas convêm saber também a sua origem.

Qualquer que seja a raça, todos os cães têm instinto natural de cobro, mais ou menos acentuado. Esse instinto deriva do lobo do qual o cão descende e que começou a ser trabalhado pelo homem à milhares de anos atrás, quando começou a domesticar o lobo.
O nosso trabalho é guiar esse instinto para que o cão cace para nós, queremos que o cão já nasça ensinado, mas muitas vezes temos de treinar esse instinto para depois na caça real termos um cão a cobrar e entregar à mão excelentemente.

Devemos começar a trabalhar o cobro desde que o cão ainda é cachorro, desde os 3 ou 4 meses, umas simples brincadeiras com uma bola vão ajudar. Comecemos por brincar com o cachorro e atiramos a bola, ele vai buscar e ai chamamo-lo e agachamo-nos para que ele a traga até nós. Se ele vier é um bom sinal e ai devemos acariacia-lo dando-lhe festas ou até guloseimas e não devemos retirar logo a bola da sua boca assim que chega a nós, pois isso poderá transmitir-lhe que assim que vai para o encontro do dono acaba-se a brincadeira e ele tira-lhe a bola, devemos deixá-lo desfrutar o momento.

A partir dai em que o cão cobre bem a bola e a entregue podemos começar a avançar e experimentar com meias com penas enroladas, até chegarmos ás verdadeiras peças de caça. Não convêm começar por peças nem muito pequenas como a coderniz ( pois o cão terá tendência em mastigá-la), nem peças muito grande tipo faisão( para não ser um peso excessivo), perdiz ou pombo são as escolhas acertadas. A corda será um elemento importante no caso do cão cobrar mas não vir directamente a nós, com a corda podemos controlá-lo melhor.
À medida que lançamos a peça ou bola devemos começar a introduzir a palavra "cobra" para o cão associar esta ordem/palavra ao cobro.


Falamos agora sobre alguns dos problemas mais vulgares que chateiam os caçadores:


"O meu cão cobra a peça e foge com ela"
Esta é uma típica atitude de predador, o cão ao sentir-se inferior ao dono foge com a peça, pois sabe que o dono a vai tirar imediatamente. Sendo o maior prémio para o cão a peça de caça, temos de o deixar desfrutar dela e não tirá-la logo, para tirar este vício experimente a corda puxando o cão com a peça devagar até sim e recompensando-o muito e não lhe retirando a peça logo. Outra maneira é virar-lhe as costas e ir andando devagar e ai o cão poderá vir atrás de nós e ao nosso lado com a peça e vamos chamando-o e quando vier ter connosco saudá-lo e recompensá-lo.

"O meu cão enterra a peça de caça"

é um comportamento idêntico ao anterior, em que o cão se sente inferior perante o líder que é o dono e esconde a peça como se fosse guardá-la para comer mais tarde. Para solucionar este problema devemos trabalhar como no problema anterior.

"O meu cão solta a peça antes de chegar a mim"

Este comportamento pode resultar de anteriormente termos tirado a peça de caça da boca do cão muito bruscamente ou de o cão ser muito submisso e assim que chega perto larga a peça, pois já sabe que o dono lha vai tirar. Também já cães que com a ansiedade da recompensa vêm a correr e como querem logo comer a guloseima largam logo a peça, neste caso devemos procurar mandar o cão sentar e aguentá-lo um pouco com a peça de caça na boca e só depois é que se dá a recompensa e não imediatamente.

"O meu cão não cobra"

Este é o problema mais grave. Acontece o cão ir cobrar bem bolas e outros objectos mas não peças de caça. Há raças mais particulares a acontecer isto, os cães de raças continentais normalmente cobram bem, já as raças britânicas devido ao facto dos ingleses caçarem com retrivers para cobrarem as peças, estes cães perderam algum gosto pelo cobro. Para motivar o cão a cobrar podemos juntar outro cão ao treino, para que o cão compita pela peça e ganhe vontade e motivação para ir buscar.

"O meu cão mastiga e estraga muito as peças"

Este é um problema algo frequente mais em bracos alemães mas que pode surgir em qualquer raça. O cão pode estar muito excitado e ao trazer a peça mastiga-a muito ou então por a peça ser pequena (ex: codorniz) o cão a estrague muito. Para solucionar este problema podemos recorrer ao cobro forçado, mas este é um exercício difícil, que requer uma boa obediência básica do cão assim como maturidade e carácter e por isso só é feito quase por profissionais. Outra amenira é recorrer ás peças de caça congeladas, comecemos por peças medias como o pombo ou perdiz e treinamos o cobro e só depois a codorniz.

Estes problemas podem ser tratados quer em cachorros como em cães adultos, a dificuldade aumenta é com a idade, pois o cão já terá mais experiência de caça e já terá assimilado os erros que vem cometendo. Convém sempre prevenir estes casos quando o cão é cachorro, pois como diz o ditado é melhor prevenir que remediar, e em cães adultos o trabalho será mais difícil mas não impossível.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sou Brasileiro, baiano. Estou prestes a comprar um Pointer Inglês, mas não sei escolher: Que tipo de caracterís-ticas psicológicas ou comportamentais deve possuir um bom filhote desta ra-ça? Aqueles sinais que caçadores es-perientes verificam logo? Aqui,se diz que quando o jogador é bom, se conhe-ce pelo vestir da camisola. E com os Pointers, o que temos que fazer? Grato a todos.

David disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
David disse...

Sou Brasileiro, baiano. Estou prestes a comprar um Pointer Inglês, mas não sei escolher: Que tipo de caracterís-ticas psicológicas ou comportamentais deve possuir um bom filhote desta ra-ça? Aqueles sinais que caçadores ex- perientes verificam logo? Aqui,se diz que quando o jogador é bom, se conhe-ce pelo vestir da camisola. E com os Pointers, o que temos que fazer? Grato a todos.